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A Promessa Não Cumprida

Entre as promessas da chamada Web 2.0 está a premissa de levar o conteúdo aonde o leitor está. Afinal, há algum tempo o usuário aprendeu que pode acompanhar as informações de sua preferência longe da interface habitual dos sites.

Smartphones, celulares e agregadores de RSS complementam a função exercida pelos navegadores - inverter a lógica e levar a informação até o usuário, e não mais o usuário até a informação. De algum modo, essa promessa foi percebida por Nicholas Negroponte em A Vida Digital, mas esse é um outro papo

Voltando ao tema, muito dessa promessa baseia-se nos webfeeds - serviço que permite ao usuário assinar um determinado canal e receber as notícias no momento seguinte à publicação. Legal. É o jornal chegando na casa do assinante, que não precisa mais ir até a banca para ter o resumo das principais notícias do dia anterior.

Explorando o vácuo
Apesar de cumprirem seu papel inicial, os feeds dos portais mapeados pelo Olympicks ainda têm espaço para serem mais bem aproveitados. Sua potencialidade está à prova de ser explorada.

Quer um exemplo? Entre os parâmetros que podem ser configurados no XML - perdão, mas é preciso falar da linguagem, apesar de ser um papo muitas vezes entediante - está o que determina a exata localização do que o conteúdo se refere.

Quem vem utilizando essa possibilidade é a versão online do The Gazette, que trabalha as informações que publica a partir do georreferenciamento. Um mapa mostras as referencias espaciais em que o fato ocorreu. Há ainda cruzamentos interessantes, com o GeoRSS e o GeoURL - ambas permitiriam um outro aproveitamento dos dados.

Uma nova tendência
O exemplo mais bem acabado do modo como o RSS georreferenciado pode ser explorado é o site outside.in, que mapeia notícias publicadas em sites jornalísticos, posts em blogs e outros conteúdos em mais de 11 mil cidades norte-americanas.

A imagem mostra o mapa com as referências dos conteúdos publicados em uma vizinhança de Los Angeles. A partir desta solução, a navegação passa a ser espacial - que agrega o que se produziu sobre aquela localidade dentro dessa referência geográfica - e não mais fragmentada em blogs ou sites de informação.

Todo esse esforço é para apresentar ao leitor um novo modo de navegar pelo que é escrito/produzido localmente, a partir de um mapa.  Sai, portanto, a referencia textual e entra a visual, com força.

(Aliás, o outside.in foi uma das referências da equipe do Olympicks para criar uma versão segmentada sobre os Jogos.)

Muito prazer, tag
Nenhum dos sites monitorados pela versão em português de Olympicks consegue fazer esse cruzamento. Aliás, era intenção do site apresentar as informações publicadas pelos grandes portais em um formato georreferenciado, mas a não apresentação desses parâmetros dificultou nossos esforços.

Já que estamos falando sobre Web 2.0, um outro aspecto deve ser mencionado. Aquele método duro de indexação de conteúdo chamado taxonomia perdeu espaço para o modo cotidiano que as pessoas têm de classificar as coisas.

Trocando em miúdos, trocam-se palavras que não fazem parte desse contexto por tags - que servem para fazer esse novo modo de indexação. As tags podem ser indicadas dentro do XML dos feeds dos sites, mas - mais uma vez - nenhum dos portais monitorados pelo Olympicks atentou-se para esse fato.

Quando o fez, apesar criou uma única tag, como o Terra com a etiqueta Pequim 2008. Muito pouco. O conteúdo é bem mais diversificado que isso - e o usuário sabe disso. O hotsite do O Estado de S.Paulo trabalha melhor as tags, entretanto esbarrou em uma outra dificuldade - não oferecer um RSS específico sobre os Jogos Olímpicos de Pequim.

Não se pode ter tudo nessa vida.

Sem feeds