Em tempos pré-olímpicos (afinal estamos a menos de dois meses do início dos jogos), é interessante observar como as diferentes fontes que estão sendo mapeadas pelo Olympicks se comportam frente a um mesmo fato noticioso.
Hoje foi a vez da tocha olímpica - símbolo que suscitou protestos em diversos lugares do mundo - passar pela cidade de Shangri-la, que serviu de inspiração para o livro de James Hilton, de 1933.
Analisando as fontes de notícias que alimentam o Olympicks, é possível identificar dois tipos de abordagem - ou dois tipos e um subtipo. Explico. A primeira abordagem identificada é o pronunciamento feito pelo Dalai Lama, pedindo calma e respeito à passagem da tocha olímpica, notícia esta encontrada em todas as fontes mapeadas (relembrando: UOL, Terra, Globo Esporte, ESPN, clicRBS e JB Online).
Outro viés é justamente a passagem da tocha pela cidade de Shangri-la. Ok, temos duas abordagens, mas e o que seria o subtipo?
Bem, acontece que dois portais -Terra e clicRBS - deram um enfoque brasileiro, literalmente, a este último fato mencionado. Em razão da participação de um brasileiro (Mateus Laurito del Conte) no revezamento da tocha em Shangri-la, Terra e clicRBS optaram por valorizar o representante tupiniquim em suas notícias.
Não por acaso, ambos mencionam a EFE como fonte da notícia publicada. Globo Esporte e UOL, com textos muito parecidos, não mencionam del Conte em suas notícias, enquanto ESPN e JBOnline não publicaram notícias específicas sobre a tocha em Shangri-la.
Mesma fonte, mesmo texto. E o complemento?
Partindo para a análise do pedido de respeito à tocha feito pelo Dalai Lama, vemos todos os portais publicando a respeito. UOL, Terra e JB Online mencionam a Agence France-Presse como fonte de suas notícias e publicaram exatamente o mesmo texto.
Adicionar conteúdos, fotos, vídeos, mapas, reportagens, infográficos? Não, obrigado. Aliás, parece ter sido a resposta adotada por quase todas as fontes mapeadas pelo Olympicks, em resposta à pergunta do meu monólogo.
Ainda que existam esforços quanto a construção de infográficos sobre os locais de competição e rota da tocha, publicação de vídeos e resgates históricos de outras olimpíadas, me parece que falta perspicácia - ou mesmo vontade - de relacionar esses conteúdos, muitas vezes não muito bons, às notícias, ao invés de deixá-los estagnados em uma seção/submenu específica(o).
Há o que acrescentar
Se já se teve o trabalho de eslaborar esses conteúdos para integrarem seções das páginas olímpicas dos portais, o que custa adicioná-los aos textos - óbvio que quando pertinentes - para agregar informações e melhorar a experiência de navegação e conhecimento do sujeito “usuário”? Bem difícil de entender.
Ou, ainda, será que as equipes de reportagem dos grandes portais como UOL, Terra e Globo Esporte que estão em Pequim não têm mais nada a dizer e/ou acrescentar ao que foi fornecido pelas agências de notícia?
Pode ser que tenha a ver com a relevância da notícia, é verdade. Mas, ainda assim, pelo menos mais fotografias poderiam ser utilizadas para ilustrar as notícias em complemento às caras e gestos do Dalai Lama. O Flickr tem se mostrado uma aplicação fantástica como fonte de conteúdo fotográfico. Mas, como era de se esperar, nem sinal dele.
O que compartilhar, se tudo é igual?
Aliás, agora chegamos a outro ponto, o uso de Social Media nos portais olímpicos brasileiros. Apenas UOL e Terra permitem o compartilhamento dos conteúdos através de redes sociais e de ferramentas de social bookmarking. Del.ico.us, Twitter, Techonarati, Facebook e Digg estão entre os aplicativos suportados para o compartilhamento. Porém, de nada adianta tantas ferramentas para compartilhar o link de uma notícia ou outro tipo de conteúdo se eles não forem relevantes o suficiente para estimularem essa prática.
Então, mais do que ferramentas webdoispontozeradas, acredito que os portais devem se esforçar um pouco mais em compreender as especificidades e possibilidades suportadas pelo meio em que trabalham, afim de veicular conteúdos mais consistentes, mais hipertextuais e, conseqüentemente, mais relevantes.
E você, o que pensa à respeito?


